Amoras, Emicida – Resenha

Amoras, Emicida – Resenha

30 de dezembro de 2019 Sem categoria 0

Antes de falar do livro, gostaria de falar sobre seu autor. Emicida se reconhece como um contador de histórias. Ele encontrou no Rap e na cultura HipHop uma ferramenta para contar essas histórias, apresentar seu ponto de vista. Em várias entrevistas ele explica como é importante ter o espaço para falar em primeira pessoa, para ser dono do seu próprio discurso. Para contar sua própria história.

É inspirador vê-lo falar e cantar, e não foi diferente ler a história que ele tinha para contar em Amoras. No livro, editado pela Companhia das Letrinhas, Emicida nos mostra como uma coisa comum, como o pensamento de uma criança, torna-se uma história poderosa.

Em entrevista, Emicida explica qual o papel do livro infantil dentro da sua obra. Ele diz que não dá pra ficar esperando para chegar na vida das pessoas aos 15 anos. “Nessa hora, os traumas chegaram primeiro do que a gente, e aí temos que trablhar dobrado, triplicado, para destruir esses traumas”, diz.

Mas, como bom contador de histórias que é, Emicida não dá ao livro infantil – nem ao rap, certamente – a responsabilidade de resolver o problema. Emicida compreende muito bem qual o seu papel e qual o papel da arte na vida das crianças:

“Precisamos encontrar palavras inspiradoras, positivas e convidativas que façam com que as crianças tirem conclusões por elas mesmas”

É um livro doce, como as amoras pretinhas que aparecem no livro. Além de doce, é um livro cheio de nutrientes, como as frutinhas que a protagonista colhe do chão e do pé, no pomar. Porque não é só a doçura da sacada brilhante da criança que a gente consome. Absorvemos, de tabela, um pouquinho da cultura africana e personagens negros importantes na história.

As ilustrações são de Aldo Fabrini, e elas se encaixam perfeitamente ao projeto gráfico, ajudando a contar a história – que originalmente é uma música – de maneira… doce, não tem palavra melhor para descrever.

Um livro sobre acalanto, sobre delicadeza, mas também sobre afirmação, representatividade e luta. Uma das melhores leituras de 2019, sem dúvidas.

Toda segunda-feira vou publicar uma resenha de um livro infantil, ou de livros que marcaram minha infância de alguma forma. Quer sugerir algum livro para aparecer aqui? Mande um comentário ou responda às enquetes lá no Instagram @livrotecastorytime

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